O Portal Nacional de Contratações Públicas publica a compra pública item a item. Esta página lê o que
os municípios compram para a merenda e responde de onde vem cada tipo de comida — com o caminho de volta ao
edital em toda linha e com o que o dado não diz, medido em vez de suposto.
Municípios na amostra
5.131
27 UFs · até 2 compras por município, sorteio determinístico
Itens medidos
590.880
10.080 compras · classificação item a item
Alimento
R$ 7,93 bi
estágio ESTIMADO — valor do edital, não o pago
Municípios que publicam
5.131
de 5.570 · descoberta completa, 121.757 editais
Agricultura familiar5,5%do alimento publicado passa por chamada pública ·6,3%ponderado pelo peso de amostragem
Municípios com chamada pública43,9%2.251de5.131— população inteira, não amostra
Leitura correta:5,5%não são descumprimento do piso de 45% da Lei nº 15.226/2025. O piso é sobre repasses do FNDE; isto mede a fração da compra de alimento publicada no PNCP que passa por chamada pública. Denominadores diferentes.
De onde vem cada tipo de comida
Grau de processamento pelo Guia Alimentar para a População Brasileira. A parte hachurada é o dinheiro cujo rótulo não decide o grupo — Suco é grupo 1 se integral e 4 se néctar; Pão é 3 se francês e 4 se de forma.
Agricultura familiar
Chamada pública, credenciamento e inexigibilidade
In natura86,5%
Ingrediente culinário2,4%
Processado1,9%
Ultraprocessado2,1%
Rótulo não decide7%
Orgânico declarado4,7%do valor comprado, lido na especificação do item
Compra comum
Pregão, dispensa e concorrência
In natura69,6%
Ingrediente culinário7%
Processado2,9%
Ultraprocessado11,3%
Rótulo não decide9,2%
Orgânico declarado0,4%do valor comprado, lido na especificação do item
A comparação é de instrumentos, não de causa: a chamada pública é hortifrúti por vocação legal, e o pregão concentra industrializado e dieta especial.
Em volume, não só em dinheiro
Só quilo soma: litro e unidade de contagem não entram e ficam contados à parte. A composição em peso muda a leitura — hortifrúti pesa muito e custa pouco; ultraprocessado, o contrário.
Agricultura familiar
34,9 mil t
In natura96%
Ingrediente culinário0,8%
Processado1,1%
Ultraprocessado0,7%
Rótulo não decide1,3%
Compra comum
249,8 mil t
In natura82,4%
Ingrediente culinário6,4%
Processado1,3%
Ultraprocessado5,7%
Rótulo não decide4,2%
Itens sem massa (litro, unidade, pacote, maço), fora da soma de quilos:225.262
Dinheiro, peso e preço por quilo, lado a lado
A mesma cesta em três medidas. É aqui que a frase "hortifrúti pesa muito e custa pouco" vira número: compare a coluna do peso com a do valor, e o R$/kg explica a diferença.
Agricultura familiar
GrupoValor% do valorPesoR$/kgItens sem massa
In naturaR$ 375,3 mi86,5%33,5 mil tR$ 8,843.836
Ingrediente culinárioR$ 10,4 mi2,4%0,3 mil tR$ 19,83175
ProcessadoR$ 8,2 mi1,9%0,4 mil tR$ 16,42104
UltraprocessadoR$ 9,3 mi2,1%0,2 mil tR$ 28,44141
Rótulo não decideR$ 30,5 mi7%0,5 mil tR$ 18,89568
TotalR$ 433,7 mi100,0%34,9 mil tR$ 9,28
Compra comum
GrupoValor% do valorPesoR$/kgItens sem massa
In naturaR$ 4.618,6 mi69,6%205,9 mil tR$ 14,4196.777
Ingrediente culinárioR$ 464,2 mi7%16 mil tR$ 7,1330.906
ProcessadoR$ 194,4 mi2,9%3,2 mil tR$ 30,1511.550
UltraprocessadoR$ 752,8 mi11,3%14,4 mil tR$ 20,8941.131
Rótulo não decideR$ 609,5 mi9,2%10,4 mil tR$ 14,7327.671
TotalR$ 6.639,5 mi100,0%249,8 mil tR$ 14,53
Como o R$/kg é calculado, e por que não é o valor dividido pelo peso:R$/kg = valorComMassa ÷ kg, ou seja, só os itens que entraram nos DOIS lados. Dividir o valor total pelo quilo total daria preço inflado, porque litro e unidade de contagem contam no dinheiro e não no peso.
Por estado
Participação da agricultura familiar no alimento publicado, ultraprocessado na compra comum, e quantos municípios do estado têm chamada pública identificada. A amostra sustenta estado e país; não sustenta município.
UFMunicípiosComprasAlimentoAgric. familiarUltraprocessado (comum)Municípios c/ chamada
RR †713R$ 6,5 mi48,3%4,7%28,6%
ES77152R$ 60,1 mi19,2%8,6%74%
SC285563R$ 287,4 mi16,9%14,4%70,5%
SE75146R$ 88,2 mi11,4%14,7%42,7%
AC1630R$ 25,8 mi10,3%12,4%25%
BA390761R$ 491,6 mi10%11,3%56,2%
CE179356R$ 485,7 mi9,8%11,2%55,9%
PR391774R$ 376,9 mi8,9%12,7%61,6%
PB211413R$ 307,5 mi8,9%12,8%49,8%
MA214423R$ 471 mi7,5%13%51,9%
PE183363R$ 279,6 mi7%9,1%48,6%
RJ82163R$ 262,1 mi6,1%8,4%43,9%
RS437867R$ 308,2 mi5,4%9,3%36,4%
MT111212R$ 262,6 mi5,1%10,6%49,5%
AM54103R$ 93,5 mi3,8%9,4%44,4%
RN165321R$ 253,8 mi3,6%11,5%45,5%
MG7901.557R$ 1.057,2 mi3,3%11,6%36,6%
MS70134R$ 89,7 mi3,1%11,1%45,7%
GO226449R$ 269,9 mi2,8%11,7%65%
SP5331.042R$ 891,6 mi2,6%11,9%27,8%
AL99193R$ 247,2 mi2,1%14,1%26,3%
PI206396R$ 349,5 mi1,6%10,5%13,1%
PA144288R$ 638,3 mi1,1%10%25,7%
TO118229R$ 143,6 mi0,5%11,8%6,8%
RO52103R$ 73,5 mi0,2%11,3%50%
AP †1527R$ 111,4 mi0%5,2%6,7%
DF †12R$ 0 mi——0%
† menos de 30 compras na amostra: o intervalo de confiança cobre quase tudo, e o estado não tem retrato — Roraima, por exemplo, fica entre 0 e 85%.
A adoção, ano a ano
O acumulado de43,9%é união de cinco anos — "publicou chamada em algum ano desde 2021". Por ano, nenhum passa de um terço. E parte do salto recente é mais publicação por município, não mais adoção.
AnoMunicípios publicandoCom chamada pública%
202246220,4%
2023798526,5%
20244.23197923,1%
20254.7901.59133,2%
20264.5521.39130,6%
A agricultura familiar cobra mais ou menos que o pregão pelo mesmo produto?
A pergunta parece simples e tem três respostas, todas verdadeiras em escalas diferentes. A primeira leitura deste sistema — "a agricultura familiar sai 5% mais barata" — não sobreviveu à refutação: comparava o preço PAGO da chamada pública com o ESTIMADO do pregão, que a disputa ainda derruba. A leitura oposta também caiu. O que resta é mais interessante que as duas.
Hortifrúti, no país
0,943
53produtos — a agricultura familiar referencia 4 a 6% abaixo
Hortifrúti, dentro do mesmo estado
0,984
paridade — o desconto nacional era composição geográfica
Hortifrúti, pareado no município
1,000
985pares — empate exato
Fora do hortifrúti
1,088
grão e processado saem mais caros — o feijão é o sinal robusto:1,165
Contra o pregão ESCOLAR do mesmo município, a razão é 0,939em423pares. A diferença que aparecia antes vinha de comparar a chamada pública do PNAE com compra comum que não era merenda — cesta básica, CRAS, secretarias.
O controle que derruba a explicação por lote
Dispensa referencia 0,924 do pregão
Em47produtos, apesar de comprar lotes 8,5 vezes menores. Se compra pequena e local encarecesse, a dispensa seria mais cara — e é mais barata.
Dois estados, sinais opostos
SC 1,059 · PR 0,929
Os dois de maior adoção da chamada pública, em direções contrárias. Em Santa Catarina a agricultura familiar não tem a cauda barata do pregão; no Paraná não tem a cauda cara. Nos dois, ela é menos dispersa.
Tendência: 0,914 → 0,965 — o desconto está fechando porque o preço da chamada sobe mais rápido (+8,6%) que o do pregão (+4,4%)
O que isto não prova:é preço de REFERÊNCIA publicado, não dinheiro pago. Na chamada pública o preço do edital é o preço pago (art. 31 §4º); no pregão a disputa ainda derruba o estimado em ~34%. Comparar os dois como se fossem a mesma coisa foi o erro que a refutação derrubou.
O acréscimo de até 30% do orgânico
A norma permite pagar até 30% a mais pelo orgânico — só quando a pesquisa de preço específica é impossível. Onde o mesmo edital publica o produto nas duas versões, o prêmio se mede. Preço não identifica orgânico: como classificador, acerta 27%.
Pares no mesmo edital
354
mesmo produto, orgânico × convencional
Acima do teto de 30%
90
indicador de conformidade da publicação
Prêmio mediano
1,257
1,30 é o § 5º devolvido em eco
Dentro da própria agricultura familiar, o orgânico custa 1,19 a 1,28 vezes o convencional do mesmo produto— abaixo do teto de 30%, e é a diferença que a lei antecipa. Mas o preço continua sem servir para identificar orgânico: como classificador, acerta 27%.
MunicípioParesAcima do teto
Garopaba/SC241
Tuneiras do Oeste/PR232
Santo Antônio do Paraíso/PR224
Zortéa/SC153
Rebouças/PR149
Viana/ES144
Campo Mourão/PR142
Jupiá/SC91
A régua nacional de preço
Mediana do preço unitário por produto e unidade canônica, com p10 e p90. A Resolução CD/FNDE nº 4/2026 manda pesquisar preço local e proíbe banco de preços na agricultura familiar — mas não oferece régua para conferir o resultado. Esta é uma. Entram só produtos com pelo menos 30 observações, preço coerente com os componentes e plausível.
Cenoura (fora do catálogo)kg2.68725R$ 4,61R$ 7,00R$ 10,80
Linguiçakg2.68525R$ 18,96R$ 26,03R$ 36,27
Tomatekg2.60426R$ 6,00R$ 9,00R$ 13,99
Pãokg2.60426R$ 12,68R$ 18,91R$ 38,32
Batata inglesa (fora do catálogo)kg2.52525R$ 4,72R$ 7,34R$ 11,78
Alhokg2.47025R$ 22,30R$ 32,13R$ 42,00
Laranjakg2.46226R$ 4,26R$ 6,33R$ 9,67
Leitel2.40026R$ 5,12R$ 6,80R$ 12,48
Açúcarkg2.29026R$ 4,07R$ 5,58R$ 19,98
Mamãokg2.23826R$ 4,98R$ 8,73R$ 12,99
Como ler as três colunas de preço.Imagine os preços de um produto enfileirados do mais barato ao mais caro. A coluna típico é o do meio da fila: metade do país paga menos, metade paga mais. A coluna barato marca o ponto em que apenas um em cada dez preços é ainda menor — abaixo dela, o preço é incomum de tão baixo. A coluna caro faz o inverso: só um em cada dez preços é mais alto que ela. As duas pontas mostram o espalhamento; quando estão longe uma da outra, o mesmo produto custa coisas muito diferentes pelo país, e a própria referência vale menos.
Preço acima do típico não é sobrepreço: região, safra, frete e tamanho do lote explicam variação. Serve para perguntar, não para concluir.
Tem produtor aqui? Entregando o quê? A quanto?
O termômetro responde a pergunta que o gestor faz antes de abrir chamada pública: o que a agricultura familiar já entrega perto daqui, e por quanto.Geografia pelo Catálogo de Escolas do INEP;20.302entregas de agricultura familiar na base.
Ribeirão Preto/SP — raio de 150 km
Chuchu (fora do catálogo)12 municípiosSanto Antônio da Alegria/SP · 69 kmR$ 5,75/kg
Banana12 municípiosSanto Antônio da Alegria/SP · 69 kmR$ 8,54/kg
Pepino12 municípiosSanto Antônio da Alegria/SP · 69 kmR$ 5,87/kg
Tomate12 municípiosSão Tomás de Aquino/MG · 85 kmR$ 8,38/kg
Mamão11 municípiosSanto Antônio da Alegria/SP · 69 kmR$ 8,24/kg
Mandioca11 municípiosSão Tomás de Aquino/MG · 85 kmR$ 6,83/kg
Nenhuma entrega de agricultura familiar encontrada neste raio. O termômetro tem piso, não teto: mostra o que já foi vendido, não o que existe.
Uma chamada pública executa o ano todo?
Chamadas por município-ano
1
mediana
Vigência mediana
330 d
81%com 330 dias ou mais
Contratos AF em ata de registro de preços
0
de458— contra82 de 102no pregão
Descritivo sim, causal não. a parte descritiva sustenta (uma chamada por ano, contrato de ~330 dias); a causal não — Pontal do Paraná/PR manteve 1 chamada de 365 dias e abriu 8 compras de alimentação no mesmo ano. O que distingue é contrato firme (0 de 458 são ata) contra 80% de ata no pregão. (18 municípios em 18 UFs, 36 município-ano, anos fechados 2024–2025 (29/08/2026))
O que acontece depois do edital
Pregão: homologado ÷ estimado
0,656
o estimado é teto e a disputa o derruba
Chamada pública: preço
0,9998
o preço do edital é o preço pago (art. 31 § 4º)
Chamada pública: valor
0,8061
paga o combinado e compra menos do que anunciou
na chamada pública o preço não se move (art. 31 §4º) — a razão estimado × homologado não mede pesquisa de preço; onde a AF perde é na QUANTIDADE: paga o combinado e compra menos do que anunciou (12 municípios, 38 editais, anos fechados 2024–2025 (29/08/2026))
Compras de 2024 sem nenhum item homologado63,4%na agricultura familiar ·54,7%nas comuns — a lacuna é do pós-edital, não do instrumento
O município compra tudo o que anunciou?
A chamada pública paga o preço combinado — a norma manda. Onde ela fica devendo é na quantidade, e o agregado esconde o que importa: a maioria entrega tudo, e os poucos cortes são grandes.
Chamada pública · 244 itens
Comprou tudo em 84% dos itens
Entre 50 e 89% do anunciado:26itens · entre 10 e 49%:13itens. Mediana100%, agregado81,8% — os dois estão certos e dizem coisas diferentes. Os parciais estão em apenas3municípios.
Compra comum · 816 itens
Comprou tudo em 100,0% dos itens
Nenhum item parcial. Isso não é o pregão sendo melhor: é estrutural. No pregão um fornecedor leva o lote inteiro; na chamada pública a quantidade se reparte entre agricultores e fica curta quando não aparece gente suficiente.
O que isto não prova:não prova frustração do agricultor. O lote curto pode ser o município comprando menos OU agricultores insuficientes para preenchê-lo — o portal não distingue, e o remédio de cada caso é oposto.
12 municípios, anos fechados 2024–2025; só item com resultado publicado, credenciamento replicado excluído
A agricultura familiar vende sozinha ou organizada?
A chamada pública admite os dois: o agricultor individual e a cooperativa que reúne vários. A contagem e o dinheiro contam histórias opostas — e é a diferença entre as duas que importa.
Agricultores individuais
82,4%
2.123de2.576fornecedores no total
Mas o dinheiro vai para cooperativa
75,1%
453cooperativas e associações ficam com R$ 345,7 mi
Cooperativa média
R$ 0,8 mi
contraR$ 0,1 mido agricultor sozinho — catorze vezes
Entregam a mais de um município
15
de2.123agricultores individuais — o individual é local, a cooperativa chega a dez
Como o município opera128compram dos dois ·77só via cooperativa ·44só de agricultor direto
oito em cada dez fornecedores são agricultores individuais, e eles ficam com um quarto do dinheiro. A cooperativa média movimenta catorze vezes o que o agricultor sozinho movimenta — R$ 763 mil contra R$ 54 mil. E o agricultor individual é local: só 15 dos 2.123 entregam para mais de um município, enquanto uma cooperativa chega a dez.
O que isto não prova:não diz se o agricultor da cooperativa está melhor. O dinheiro que entra na cooperativa se reparte entre associados que o dado não mostra, então o valor médio por PJ não é renda de ninguém. E municípios que compram só via cooperativa podem estar excluindo quem não é associado — o dado mostra a porta usada, não quem ficou de fora.
colheita dirigida, 386 municípios, 1.532 compras de chamada pública; pessoa física por pseudônimo scrypt — identificador lido, derivado e descartado, nome nunca gravado
Quem começa a fornecer continua?
Voltam no ano seguinte
68%
239fornecedores em30pares entre anos fechados
São novos no ano seguinte
36%
a chamada pública renova sem encolher
Municípios na colheita dirigida
138
em ordem aleatória — parar no meio devolve amostra válida
dois terços largos dos fornecedores voltam no ano seguinte e pouco mais de um terço dos do ano seguinte são novos — a chamada pública renova sem encolher. A pessoa física entra por pseudônimo derivado por scrypt: o identificador é lido, derivado e descartado.
O que isto não prova:não prova que o instrumento fideliza. Município que muda de modalidade, coopera via cooperativa ou publica com atraso aparece como perda de fornecedor.
municípios com chamada pública em anos diferentes, colheita dirigida em ordem aleatória; só pares entre anos FECHADOS — o par que termina no ano corrente compara ano inteiro com fração dele
O lote curto afasta o fornecedor?
A pergunta que liga as duas medições anteriores, com os dois números vindo do mesmo município. A resposta é que ainda não dá para responder — e o motivo é mais interessante que um resultado seria.
Pares município-ano
16
entre anos fechados, com as duas medidas
Compraram tudo o que anunciaram
12
de16
Casos de lote curto
4
poucos demais para sustentar conclusão
Correlação
0,043
praticamente zero
não há sinal. A diferença de 13 pontos entre os agregados vem de um único município — São Roque/SP, que comprou 64% e manteve 1 de 5 fornecedores. Os outros três casos de lote curto vão para o lado contrário: Abadia de Goiás comprou 16% e manteve 67%, Horizonte comprou 59% e manteve 100%, Vieirópolis comprou 87% e manteve 100%. A correlação é 0,043 — e ela CAIU de 0,101 quando a amostra passou de 13 para 16 pares, o que é o comportamento esperado de um efeito que não existe.
Por que não publicamos os 15 pontos de diferença como achado:a ausência de sinal não refuta a hipótese — a amostra é pequena porque o lote curto é raro (84% dos itens compram 100%), e amostra aleatória traz poucos casos. Responder exige colheita DIRIGIDA aos municípios que se sabe terem tido lote curto. E mesmo com sinal, correlação não distinguiria "o município comprou menos" de "faltou agricultor para preencher o lote" — as duas produzem o mesmo número e pedem remédios opostos.
colheita dirigida a municípios com chamada pública em anos diferentes; só pares entre anos FECHADOS e só municípios-ano com quantidade anunciada e homologada gravadas
Como os municípios formam o preço
Res. CD/FNDE nº 4/2026: art. 28 (compra comum: Painel de Preços, Conab/Ceasa, fornecedores; média, mediana ou menor de ≥3 preços) e art. 31 (agricultura familiar: média de ≥3 fornecedores LOCAIS, priorizando a feira do produtor, mais frete e embalagem; § 8º VEDA a metodologia do art. 28 e banco de preços)
Pregão · 12 editais
Declara método, fonte e data: 1
Declara fontes sem estatística:1 · remete ao processo:2 · não declara nada:8
Chamada pública · 10 editais
Art. 31 declarado: 1
Média com anexo, sem contagem de fornecedores:2 · usa fonte vedada (banco de preços):4 · não declara:3 · citam norma revogada:6
A razão homologado ÷ estimado não mede qualidade da pesquisa: na chamada pública ela é 1 por construção legal (art. 31 § 4º) e no pregão mede intensidade de disputa. Medir assertividade exige preço externo à compra — Conab ou Ceasa da mesma praça e do mesmo mês — e isso não foi feito.
Boas práticas, cada uma com a evidência que a sustenta
Escrever a metodologia no edital, não nos autos: instrumento, data, estatística e análise crítica (o único modelo da amostra: Amambai/MS)
Na agricultura familiar, não usar banco de preços — a vedação do § 8º é expressa; 4 dos 10 editais usavam fonte vedada
Registrar QUANTOS fornecedores locais foram consultados — nenhum dos 10 editais informa
Somar frete, embalagem e encargos ao preço, e dizer que somou (art. 31 § 1º)
Pesquisar preço de orgânico onde orgânico é vendido; os 30% são exceção, não padrão (art. 31 § 5º)
Conferir a norma antes de copiar a minuta: 6 de 10 editais fundamentam o preço em resolução revogada
Publicar PDF com texto, não digitalização: 3 dos 22 eram imagem pura
Anexar o mapa de preços ao edital — transparência que gera achado é melhor que opacidade que não gera nenhum
22 editais municipais de alimentação escolar lidos por texto integral em 28/08/2026 — 12 pregões eletrônicos e 10 chamadas públicas de agricultura familiar, 22 municípios, 19 UFs; amostra de conveniência, não probabilística
Fora do cruzamento, dito:não-alimentoR$ 1,45 bi(a compra de merenda é mista) · o portal não disse o que éR$ 108,8 mi(cabeçalho de lote, remissão a anexo) · sem regraR$ 1,4 bi·101itens com valor que contradiz quantidade × unitário ·2.392com preço impossível ·164a mais de 20× a mediana do próprio produto. Nenhum entra na soma; todos ficam contados.
Sobrepreço não é superfaturamento.O primeiro é comparação de números e o portal alcança; o segundo exige provar execução e pagamento, e o portal não alcança.3.394indícios de preço fora da faixa foram gerados, cada um com o que não prova;162foram retirados por serem inflação entre anos, não desvio.
Fonte: Portal Nacional de Contratações Públicas, colhido em 30–31/08/2026 e medido item a item; FNDE (repasses previstos); INEP (geografia). Motor de classificaçãoescolas-brasil, commitda14fd79, gerado em2026-09-03T12:07:42. Nenhum identificador fiscal de fornecedor foi colhido, gravado ou exibido.